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Reflexão de um ex-maconheiro



Hoje será realizada em Manaus a marcha da maconha. Dois pontos sobre essa questão. Em primeiro lugar, sou a favor do direito de todos de manifestar suas ideias. Como defensor da liberdade de expressão, vejo com alegria a confirmação de um direito constitucional assegurado por decisão do topo da cadeia judiciária brasileira. Ponto para a liberdade.

Mas também faço questão de refletir sobre uso da maconha, do alto da minha experiência de mais de 20 anos como usuário dessa substância. Obviamente que não faço mais uso dela. Troquei o barato da maconha pela liberdade do Espírito Santo. Não entro no mérito de julgar quem defende a descriminalização ou a legalização da maconha. Considero, sim, como marco de um novo tempo da democracia no país ver o direito das minorias ser manifesto sem opressão .

Mas, por outro lado, acho que muito pouco estudo foi feito sobre os efeitos e sequelas do uso da maconha. Até pelo fato de ela ainda estar relegada a um gueto. Acho que cabe o exemplo do pai que proíbe seus filhos de fazer algo que considera errado, mas nunca parou para conversar com eles sobre isso. Estamos para a maconha como estivemos para o cigarro nos anos 60. Cegos e inocentes para entender o que o uso dessa substância pode trazer para as pessoas. Poralizando a discussão entre o legalismo de uma política repressora antidrogas e uma defesa anarquista que considera liberdade como a quebra de todas as regras sobre aquilo que é considerado proibido.

Não tenho dúvida que o uso contínuo da maconha deixa sequelas nos mecanismos cerebrais. Essa opinião é baseada no meu autoconhecimento e na observação empírica sobre muitos usuários durante mais de 20 anos. Eu mesmo desenvolvi alguns trantornos psicóticos após o uso contínuo. Isso não foi diagnosticado por nenhum psiquiatra, mas me considero suficientemente esclarecido para afirmar isso, sem medo de parecer hipocondríaco. A fobia social foi um dos padrões doentios potencializados em mim pelo uso da substância. Não digo que a droga foi a causadora disso, mas ela foi uma colaborada ativa no processo de desenvolvimento desse padrão de comportamento.

Essa minha análise encontra abrigo na reflexão de psiquiatras que apontam o THC (substância ativa da maconha) como prejudicial para pacientes portadores da chamada síndrome do pânico. Além dos reflexos sobre o sistema nervoso central, o uso de substâncias psicoativas como a maconha também traz efeitos sociais sobre os usuários. Perda da memória de curto prazo que tende a ficar crônica com o uso prolongado e preguiça intelecutal são alguns dos efeitos que trazem danos sociais aos indivíduos. Claro que alguns usuários não sofrem nenhum desses reflexos, Mas, como disse, me baseio na minha experiência e no convívio com alguns outros usuários.

Mas não vou aprofundar essa análise agora. O que posso dizer é que etou muito melhor sem a maconha. Deixei a timidez quase doentia que desenvolvi, meu cérebro passou a processar mais rapidamente o raciocínio e melhorei minha articulação verbal. Sei que algumas sequelas ainda estão sendo tratadas, como uma certa predisposição para hiperatividade cerebral, a tendência de encontrar dificuldade para concluir as atividades e outras, como uma ansiedade latente.

Mas maior do que tudo isso é o Espírito Santo que está em mim. Pela graça fui alcançado e hoje me libertei da dependência de todo tipo de substância para estimular as sinapses cerebrais. Hoje sou dependente da palavra e da comunhão com o Espírito Santo. Acho que a liberdade mora na leveza espiritual e não no uso de alguma substância que te torna dependente. Assim, acho que discutir a maconha na sociedade não é apenas um problema legal. É preciso estudá-la como um problema ( no sentido lato da palavra) de saúde pública. Para terminar, uma palavra: "Não vos embriagueis com o vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito de Deus!". (Efésios 5:18)